poesia | Escrevo e fujo

07:40

blog Estou na Noia

no momento todos dormem em paz; posso sentir na respiração.

penso:

serão eles livres de toda loucura e de todo pensamento deturpado quando colocam suas cabeças no travesseiro e fecham os olhos; ou eles são como uma máquina sendo desligada instantaneamente?

e aqueles que não dormem? por que não livram-se?
há aqueles que acordados estão dormindo para tanta coisa...

há aqueles que dormem para não acordar. que fogem espiritualmente...

há os que lidam bem. os que não lidam. os que fingem. os que se matam. os que se matam aos poucos. os que matam aos outros. de tantas formas.

eu não sei. 
juro, não sei.

se quero fugir dormindo, ou se permaneço acordada para que não seja desperdiçado o tempo de olhos fechados.

então escrevo. 

por amor, por dor, por refúgio.
para garantir um pouco da sanidade.

e quando penso:
"mas do que, realmente, estou a fugir?"

lembro:

de mim.

e sei que cumpro prisão perpétua enquanto durar o elo entre corpo e espírito.

quando? não sei. 
morrer? morri várias. 
matar? só suicídio. 
pensei? sim. várias. 
o que faltou? coragem.

só coragem. 
porque aquela faca parecia brilhar para mim. parecia perfeita.
mas suicídio seria uma forma egoísta de matar algumas pessoas comigo.

então escrevo.
coloquei vida nisso.

e enquanto escrevo lembro da frase mais marcante da minha infância em uma aula:
"deixo a vida para entrar na história"

quero entrar na história. 
falo sério.

talvez como um ser indigno que fez alguma diferença digna no mundo.
talvez como revolucionária tola por dar sua vida à metade dos que acreditam na ideologia.
talvez como alguém que vendeu muitos livros com pensamentos fúnebres e ajudou aos pobres.

por uma causa nobre. 
é o que espero.

isso me deu esperança e vida.
passei a sentir algo que antes era inexistente para mim: fé.

e também a sentir Deus. mesmo com todos os questionamentos que já tive sobre a vida.
e que ainda tenho.

sou de uma complexidade absurda.

e como entender? como sair da sua bolha para entrar na minha bolha?
a gente só tem empatia quando nos convém, e isso é lamentável.

não tenho sono. 
estou escrevendo meu sonho. 
e não há mais do que uns três anos em que passei a sonhar.
triste. sim.

tento imaginar minha fisionomia ao ser questionada sobre o que eu queria ser quando saísse do colegial. e eu não lembro o que respondia. mas todos, ou grande maioria deles, sabiam o que queriam ser: médicos, arquitetos, professores, enfermeiros, engenheiros, estilistas...

mas o que será que eu respondi?

não faço ideia.

porém hoje sei responder:

escritora.

nem que eu tenha que deixar a vida para entrar na história.

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